quarta-feira, 23 de junho de 2021


 QUEM CUIDA DO CUIDADOR? EVITANDO O DESGASTE FÍSICO E EMOCIONAL DOS CUIDADORES DE PACIENTES


Em alguns casos se torna necessário que o paciente com câncer tenha o acompanhamento constante de um cuidador. Sua função normalmente envolve levar, buscar ou acompanhar durante as consultas médicas; auxiliar no pós-operatório e ou em questões do dia a dia – como lavar roupa, cozinhar, tomar banho e se trocar. Esse trabalho pode ser feito por um profissional, mas muitas vezes, por falta de recursos ou ainda por opção, os próprios familiares acabam assumindo esse papel.


A questão é que seguidamente os cuidadores, em especial os não profissionais, acabam por deixar a própria saúde e bem-estar de lado. Em meus anos como cuidador observei que das pessoas que cuidam de um familiar que está lutando contra alguma doença, 53% declararam se sentir cansados na maior parte do tempo e 46% contaram não ter uma brecha na agenda para marcar ou comparecer às próprias consultas médicas.


Além disso, 61% assumiram que precisam de atendimento em decorrência de sua saúde mental e dois a cada cinco cuidadores admitiram colocar o bem-estar do paciente acima do seu. É importante ressaltar que essas informações não demonstram que os cuidadores fazem o trabalho de má vontade. Pelo contrário: dos respondentes da pesquisa, 68% afirmaram que zelar pela pessoa amada ajuda a apreciar mais a vida, enquanto 57% citaram que, embora seja desafiadora, essa função traz recompensas.


Nesse cenário, é preciso entender melhor os impactos que a doença e a função de cuidador causa nos familiares e o que eles podem fazer para se manterem saudáveis e bem durante esse período.


😓O IMPACTO DA DOENÇA


Os cuidadores familiares são impactados emocionalmente pela doença e sentimentos de tristeza, raiva, culpa, medo e a necessidade de controle são relatados com frequência. Uma pesquisa da Pfizer com cuidadores e pacientes de câncer de mama metastático, por exemplo, demonstra que os familiares são mais atingidos pela descoberta da doença do que as próprias pacientes.


E no meio desse impacto emocional, eles precisam encontrar forças para poderem cuidar dos entes queridos. Uma vez que, como demonstra a mesma pesquisa, apesar de abalados, os familiares representam a principal fonte de apoio emocional das pacientes, sendo citados por quase 90% das entrevistadas.


Junto a isso existe um impacto no estilo e qualidade de vida de familiares e pacientes. É comum que seja necessário adaptar horários para poder ajudar as pacientes durante e após o tratamento, o que inclui mudanças no trabalho (com adaptação de horários ou necessidade de abandoná-lo), diminuição de renda e aumento dos gastos.


Além disso, os momentos de lazer e convívio são deixados de lado. Viajar e sair para passear, por exemplo, são as principais atividades que deixam de fazer parte da vida dos familiares, seguido de beber socialmente com os amigos.


😐OS CUIDADOS COM O CUIDADOR


Nesse contexto, o estresse, a sobrecarga e a culpa acabam se desenvolvendo no cuidador não profissional. Isso, somado aos dados expostos acima que evidenciam que os cuidadores algumas vezes negligenciam a própria saúde, pode se tornar um inconveniente maior ainda, uma vez que pode levar a uma situação de desgaste físico e emocional extremo – que vai exigir que o cuidador se afaste de suas funções para ter que lidar com a sua própria saúde.


Nesse sentido, é essencial que o cuidador tome algumas medidas para evitar chegar nesse estágio. Elas devem ser tomadas em pelo menos três frentes: necessidade de ajuda, saúde física e mental.


😬AJUDA


É essencial que o cuidador conte com a ajuda de outras pessoas, como família, amigos, profissionais ou vizinhos. É recomendado que sejam definidos dias e horários em que ele poderá ter uma folga para poder cuidar de suas próprias questões ou ter um tempo livre. Isso não deve eventual, precisa fazer parte da rotina.


🤗SAÚDE FÍSICA


O cuidador deve adotar também uma rotina de hábitos saudáveis, como cuidar da alimentação – fazendo pelo menos três refeições balanceadas por dia; dormir de 6 a 8 horas contínuas por noite; praticar exercícios físicos pelo menos duas vezes na semana; adotar o hábito de fazer alongamentos e pequenos exercícios diariamente; e descansar sempre que possível. Também é preciso que o cuidador siga indo ao médico e esteja atento aos sinais e mudanças que seu próprio corpo pode estar transmitindo.


😊SAÚDE MENTAL


O impacto de ter um ente querido que esteja enfrentando um câncer já é grande, quando há a necessidade de se envolver nos cuidados diários e, consequentemente, acompanhar o desenvolvimento da doença e tratamento, essa questão se torna ainda mais delicada. Por esse motivo, é preciso que o cuidador busque algum tipo de suporte emocional seja através do acompanhamento individual de um psicólogo ou grupos de apoio de familiares.


Além disso, é preciso que o cuidador encontre um tempo para praticar algum hobby e sair com os amigos. É importante também que nesses momentos evite-se que a conversa gire em torno do paciente, é preciso que a cabeça seja arejada com amenidades e outros assuntos.

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